15 outubro 2018

Novo vídeo: Malhão 3.0

Malhão 3.0 é o primeiro vídeo de Lebre, o novo álbum de Diabo na Cruz. Foi realizado por Filipa Cruz (irmã de Jorge Cruz), com animação da Animavideo.



Letra e Música: Jorge Cruz
Gravação: Pedro Gerardo no Atlântico Blue estúdios
Gravações adicionais: Bernardo Barata
Misturas: Pedro Gerardo e Jorge Cruz
Masterização: Miguel Pereira Marques, SDB Mastering
Realização: Filipa Cruz
Animação: Animavideo
Design: Roda Dentada


Letra:
Põe a grade bem no cimo da geleira
O cadeado no cofre de madeira
E vem dançar
Vai começar

Deita em água uma mão de feijão verde
Pimentão, salsa e louro no borrego
Deixa a apurar
E põe-te a andar

Se compravas, põe à venda
Se arrendavas, sub-arrenda
Flash em off
Posta a foto
Faz negócio
E anda lá daí pra fora
Chegou a hora

Já não há saco p’ra tensões
Peritos, magos e vilões
Toda a gente
A ver se mete
O alfinete
Em forma de comentário
Incendiário

Olha as luzes na praça
E a populaça
Toda em pulgas p’ra cantar

Vem comprovar
Ver para crer
Bailar até cair pró lado
Esquece o jantar
‘Bora a correr
Hoje a festa é do Diabo

E meio gás não serve
Só calor e entrega em noites ávidas
Rebelião de febre
Bombos, suor e lágrimas

Traz a avó, a cunhada e o gaiato
Deixa o shot de aventuras para o chato
Que quis faltar
Pode ajudar

Toca a andar, pernas para que te quero
Burricada, Malhão 3.0
É aguentar
E vira o par

O Circo lá esgotou
O bom senso extraviou
A solução
É onda de invasão
Da Galiza ao Sotavento
Repovoamento!

E não é que pelos vistos
Vem aí o apocalipse
Tu queres ver
Que chatice
Não há realista
Que ature a realidade
Haja piedade!

Olha as luzes na praça
E a populaça
Toda em pulgas p’a cantar

Vem comprovar
Ver para crer
Bailar até cair pró lado
Esquece o jantar
‘Bora a correr
Hoje a festa é do Diabo

E meio gás não serve
Só calor e entrega em noites ávidas
Rebelião de febre
Bombos, suor e lágrimas

Jorge Cruz em entrevista na Rádio Comercial

http://radiocomercial.iol.pt/noticias/84071/diabo-na-cruz-quisemos-fazer-um-disco-conceptual

Depois de mais de quatro anos de seca, as saudades por um novo disco podem ser matadas gulosamente com "Lebre", colheita de canções apanhadas num bosque bem português e fantasmagórico, com ecos da Banda do Casaco e de outros que inventaram um território enorme entre o campo e a urbe, entre "Braga e Nova Iorque", entre Trás-Os-Montes e Manchester. Ou no caso dos Diabo na Cruz, entre os Gaiteiros de Lisboa e os Strokes, entre muita coisa e muita outra coisa.

Campeões dos palcos e do asfalto, também se enfiam por caminhos de terra batida, onde gostam de se perder. Por pradarias, encontraram a mitológica "Lebre", o quarto álbum do grupo, com letras que parecem uma reflexão sobre o trajecto da banda. E às vezes parecem lemas : "cada dia mais forte" na faixa de abertura 'Forte', "ainda a procissão vai no adro" no tema 'Procissão'. "Há uma pausa de dois anos. Houve dois anos para cozinhar o disco, de 2016 até agora", enquadra-nos o guia espritual do grupo, Jorge Cruz.  E o interregno é também ao vivo. Os Diabo na Cruz não tocam ao vivo desde "29 de setembro de 2016". Mas a engrenagem vai ser ligada nos coliseus de Lisboa e Porto, respetivamente a 15 e 22 de novembro, e depois, em 2019, ninguém os parará pelo país fora.

Em Lebre, os Diabo na Cruz preocupam-se menos com o sarcasmo em relação a alguns meios urbanos, preferindo uma guinada para o interior, da alma ou do país, ou de ambas as coisas. "O nosso terceiro disco era bastante mais urbano, com piadas ao Maria Matos e aos hipsters. Este disco preocupa-se pouco com isso".

A ligação às raízes e à terra inspira uma banda rock a uma nostalgia, por vezes de um tempo desconhecido como os Sétima Legião. No caso dos Diabo na Cruz, ou de Jorge Cruz, a viagem no tempo pode ser à sua infância, com cheiro a maresia, sons de ondas agrestes e vistas de "traineiras", como na canção 'Terra Natal': "esse tema é mais nostálgico porque o disco tinha uma pretensão conceptual, à procura de um conceito, a ideia de pertencer a algum lado, onde é que é a casa. O 'Roque da Casa' termina com 'Só não tenho sítio a que chame casa'. Depois toda a ideia de mãe, pai, filho, família que existe no álbum. E acabar com uma música chamada 'Portugal'. É a pergunta que faço: até que ponto esta pode ser a minha casa nos tempos modernos e globalizados, em que mora gente de todo o mundo, em que isto está a mudar constantemente?". E Jorge Cruz reforça: "se calhar, é preciso fazer uma música em que eu consiga lidar com a minha origem": a zona de Aveiro e a sua incontornável costa.

Em "Lebre", não se sente apenas uma nortada celestial. Há também o bafo infernal de 'Terra Ardida'. "O rastilho foram os incêndios, mas não estes [do ano passado]. O problema já existe há imenso tempo. A canção já tem cinco ou seis anos e foi feita para o Roque Popular, o nosso segundo disco, e na altura ficou de fora porque tínhamos feito quarenta a cinquenta músicas, nem todas terminadas. A letra [de Terra Ardida] foi retocada e remexida para se adaptar a este disco. Na altura foi inspirada no drama dos incêndios, em particular um que aconteceu em Tavira, em que ardeu a serra toda, desde o Alentejo até ao mar, que foi altamente chocante. Fiz uma viagem de 40 quilómetros, a ver a serra queimada".

Jorge Cruz em entrevista no JPN

https://jpn.up.pt/2018/10/12/diabo-na-cruz-vivemos-num-pais-em-que-o-folclore-esta-nas-banquinhas-de-souvenirs/

Há quanto tempo estão a trabalhar no “Lebre”?
Eu diria, mal acabámos a tour em 2016. Começou a ser trabalhado nessa altura em termos de composição, mas passou por uma fase de amadurecimento, mais de marinada.
A fase final, de finalizar arranjos e de escrever, no fundo, aquela que é a história do disco, arrancou em novembro do ano passado. Fizemos essa parte durante o Inverno de 2017/2018, entrámos em ensaios em março e começámos a gravar em abril.

Alguns dos títulos dos temas, como “Portugal”, “Terra Ardida” ou “Procissão” são sugestivos. Este é um disco de crítica social?
Não, acho que não. É um disco com uma dimensão mais conceptual, desta vez. É um disco muito pessoal, sobre a vida das pessoas. Apesar do ponto de partida ser sempre de quem está a escrever, acaba por ser um tema universal.
A temática do disco é um pouco a temática da pertença, da perplexidade perante o sentimento de não pertencermos a lado nenhum hoje em dia. No mundo moderno temos acesso a tudo, aparentemente, mas depois o ficar, o permanecer, o pertencer são valores um bocado difíceis de agarrar.
Nós, como banda que trabalha com a matéria-prima cultural do nosso país, quer a nível melódico, lírico ou paisagístico, estamos neste disco a tentar questionar o que é o sentimento de casa – se isso é a nossa família, o nosso sangue, se isso é a terra que nós pisamos… O que é isso? Este é um disco mais de perguntas do que de respostas. O disco gira à volta deste conceito de identidade e de pertença e é uma busca. O disco é uma viagem, é mais conceptual nesse sentido do que os outros.

Acham que o “Lebre” tem ingredientes para ser um sucesso de vendas ou é algo que não vos preocupa?
Não é, de maneira nenhuma, algo que nos tenha preocupado na preparação do disco. Não o fizemos a pensar em singles, mas é evidente que há duas ou três músicas que remetem para um Diabo na Cruz que as pessoas já estão habituadas a ouvir, porque também faz parte da nossa linguagem. Nós também temos a consciência daquilo que é a nossa linguagem, do que já fizemos e tentamos que um quarto disco seja um acrescento, mas também que faça parte de uma obra coerente.
De resto, fomos por caminhos que ainda não tínhamos ido nos outros discos e tentámos ser livres para encontrar espaços novos e coisas novas para dizer. Tentámos ser mais artísticos do que pensar em questões comerciais.

Como foi a evolução dos Diabo na Cruz desde o “Virou” até ao “Lebre” e sentem-se, hoje, mais livres para fazer algo mais “conceptual”?
Sim… São quatro discos de originais, mais uma série de concertos, um álbum ao vivo, mais uns EP, um dos quais eu também considero um disco que é o “Combate EP”.
De certo modo, uma das coisas que aconteceram antes de fazer este disco foi fazer um balanço do que estava para trás e, se queres que te diga, senti um certo conforto. Se tivesse ficado por ali, para mim estava bem. Tentámos fazer uma banda que misturasse rock e modernidade com a tradição portuguesa e conseguimos, está aqui: temos uma série de músicas que representam isso.
A verdade é que a sociedade e a cultura portuguesas mudaram bastante desde que nós começámos em 2008/2009 até agora 2018/2019, quando vamos estar a tocar e a viver este disco junto das pessoas. Aquilo que mudou tem, precisamente, muito a ver com o ponto de partida da banda: um ponto de partida que procurasse trazer certos condimentos da portugalidade, até um certo folclorismo, para a vida das pessoas de uma forma meio provocadora e de rutura com a cultura vigente naquele momento.
Hoje em dia, vivemos num país que está “folclorizado” para o turismo, onde o folclore faz parte das banquinhas de souvenirs e de tudo e mais alguma coisa. Ou seja, a banda Diabo na Cruz não faz sentido enquanto esse tipo de banda. Por isso, este quarto disco, para nós, tinha de ser diferente e acho que o caminho que encontrámos é um caminho mais profundo, um caminho que aprofundasse as nossas perguntas e as nossas ideias acerca do que é a nossa razão de ser enquanto banda e enquanto pessoas que estão a tentar intervir na cultura de um país.

Depois de quatro álbuns em oito anos, esperam nos próximos oito editar mais quatro ou este vai ser o vosso reportório por algum tempo?
[Risos] É difícil responder a isso, o disco ainda nem saiu. Não estamos preocupados com isso. A principal preocupação era saber se conseguíamos contribuir com algo que estivesse ao nível dos três discos que tínhamos para trás, que temos em muito boa conta, nos quais temos muito orgulho e que são os três diferentes entre si. Acho que fizemos um disco diferente deles e que está ao nível, ou até acima em vários aspetos. 
Sobre os concertos nos coliseus, que espetáculo está a ser montado? Vai ter convidados?
Não é concentrados nesse tipo de truques debaixo da manga que Diabo na Cruz trabalha normalmente. Nós não tocamos há dois anos, o último concerto foi em 29 de setembro de 2016, precisamente no Coliseu do Porto. Não vamos regressar diretamente ao mesmo palco, porque vamos primeiro ao Coliseu de Lisboa.
Não conseguimos marcar no Porto antes, senão teríamos regressado diretamente ao mesmo palco, mas vamos regressar a esses palcos que são palcos que honram qualquer músico em Portugal. São objetivos, também, para qualquer pessoa que toque música vir a ter, em nome próprio, um evento nesses sítios.
Vão ser, essencialmente, concentrados na energia de matar saudades, de rever o nosso público, de esperar que toda a gente venha fazer a festa outra vez e de ver como nos sentimos. Acho que vai ser muito emocionante e emocional e estamos muito ansiosos que aconteçam.

Como é que uma banda sobrevive na era do download gratuito?
Nós, enquanto banda, sobrevivemos sempre à base de concertos, concertos fortes e de um reportório forte. Tivemos a sorte de ser muito bem recebidos desde o início. A partir daí, tivemos a oportunidade de ter um público especial que nos segue e que, quando estamos em tour, que nos persegue muitas vezes [Risos]. Há pessoas a fazer dezenas de concertos de Diabo na Cruz no mesmo ano, rostos que nós vamos conhecendo, algo que não acontece a qualquer banda até porque eu já tive outras bandas a quem isso não aconteceu.
Sobreviver artisticamente, passa por estares sempre a questionar-te, a procurar ser melhor e a fazer algo diferente do que está feito para trás. Se estás a falar sobre sobreviver financeiramente, isso já é mais complexo, porque viver financeiramente de uma atividade artística passa sempre por muito jogo de cintura. Não é muito diferente de ser um biscateiro que trabalha na vila a fazer várias coisas, quer a arranjar frigoríficos, quer a cortar madeiras.
Portanto, acho que no caso de Diabo na Cruz somos músicos versáteis, capazes de fazer várias coisas diferentes e todos nós temos “tentáculos” noutro tipo de projetos e noutro tipo de atividades. A ideia é juntarmo-nos para fazer Diabo na Cruz porque para nós é magia, é orgulho e é um privilégio. É isso que está a acontecer agora.

12 outubro 2018

Diabo na Cruz HOJE na Fnac Chiado

Atenção, Lisboa!

HOJE, a partir das 18:30, quatro elementos de Diabo na Cruz vão estar na Fnac do Chiado a vender discos ou a receber quem vier levantar as pré-vendas. Dá direito a conversas e abraços e há mais packs especiais para quem comprar o álbum na hora. Apareçam!

Novo álbum já à venda



É hoje o dia do regresso da Lebre. O novo álbum de Diabo na Cruz já está disponível para compra em CD, vinil, download e streaming.

Para além da habitual formação do grupo, participam no novo álbum Luís Figueiredo (com um arranjo para quinteto de cordas em "Balada") e Luís Coelho (guitarra portuguesa em "Montanha Mãe/Contramão").

A capa e gravura interior foram feitas por Ana Afonso. As ilustrações do booklet são da autoria de Filipa Braga Cruz.

Comprar: CD / Vinil / iTunes / Google Play
Ouvir: Spotify / YouTube

1. Forte
2. Procissão
3. Roque da Casa
4. Terra Natal
5. Balada
6. Terra Ardida
7. Tema da Lebre
8. Malhão 3.0
9. Montanha Mãe / Contramão
10. Lebre
11. Portugal

Entrevista na Antena 3

Jorge Cruz esteve ontem nas "Manhãs da 3" da Antena 3 a falar sobre o novo álbum de Diabo na Cruz: