
Jorge Cruz esteve hoje na
Antena 3 a falar sobre Bob Dylan, o primeiro músico a vencer o
Prémio Nobel da Literatura:
Tu próprio mestre das palavras nas tuas letras, o que é que te parece este Nobel a Bob Dylan?
É uma notícia maravilhosa, uma alegria muito grande para mim como fã. Metade das coisas que eu sei sobre a vida foi esse senhor que ensinou.
Que coisas da vida te ensinou Bob Dylan?
Epá, a minha vida é fazer canções, por isso eu acho que isto é um prémio que elogia a dignidade e a obra artística que é a canção e as possibilidades que o Bob Dylan abriu para toda a gente. Ele é o pai da canção como nós a conhecemos. É um artista complexíssimo, que viveu fases muito diferentes. Ainda agora vi as notícias e estava a dar o
Blowin' In The Wind, ele a cantar com 22 anos... O homem tem 75 anos, reduzir o que ele fez a um cantor folk com uma harmónica e uma viola acústica é um equívoco. O que ele fez tem alimento para carreiras e carreiras de escritores de canções pelo mundo fora.
Já tiveste oportunidade de o ver ao vivo?
Vi-o em Vilar de Mouros, vi no Alive, e em 90 e pouco no Pavilhão de Cascais. Ele é gajo para ter dado grandes performances ao vivo e eu já vi várias, mas sempre na televisão e no YouTube ou nos DVDs. Não vi grandes concertos dele ao vivo. A performance para ele é respirar, por isso aquilo não tem os altos e baixos que se calhar estamos à espera de um concerto convencional.
Há muita polémica à volta de um homem da música ter ganho um prémio de literatura...
Acho isso uma grande parvoíce. Lá está, acho que isto é um prémio à canção enquanto obra de arte e enquanto obra literária. Os poetas já ganharam o prémio, já houve até encenadores ou escritores para teatro que ganharam o prémio. A canção não é uma brincadeira, mexe nas nossas vidas. O Dylan é claramente a pessoa certa para representar a canção enquanto forma artística, por isso eu acho que isto é um prémio para todas as pessoas que fazem canções com melodias e letras e portanto é um prémio para uma classe.
Tens alguma canção do Dylan que possas considerar a tua preferida?
Eu gosto muito da última fase dele, a partir de 1997, do álbum
Time Out of Mind. Eu diria que ele tem cinco fases diferentes e que cada uma dessas fases há-de ter 10 a 20 músicas universais. Desta última fase eu escolheria o
Ain't Talkin'.