29 abril 2016

Vídeo: Raquel Tavares - Meu Amor de Longe



Jorge Cruz é o autor (letra e música) de "Meu Amor de Longe", o novo single de Raquel Tavares. É o primeiro avanço do álbum Raquel, que chega às lojas no dia 6 de Maio e já está disponível em pré-venda na Fnac e no iTunes.

Além de Jorge Cruz, o álbum conta com composições de Caetano Veloso, António Zambujo, Miguel Araújo, Tiago Bettencourt, Rui Veloso e Mallú Magalhães, fados e poemas de Alfredo Marceneiro, Pedro Homem de Mello, João Dias, Carlos Rocha e Arlindo de Carvalho, e participações de Carlão, Rui Veloso, Rui Massena e António Serrano. O disco foi produzido por Fred Ferreira, João Pedro Ruela e Tiago Bettencourt.
Meu Amor de Longe - letra 
No Largo da Graça já nasceu o dia
Oiço um passarinho, vou roubar-lhe a melodia
Meu amor de longe ligou
Abençoada alegria 
Junto ao miradouro, pombos e estrangeiros
Vão a cirandar como fazem dia inteiro
Meu amor de longe já vem
Pôs carta no correio 
Barcos e gaivotas do Tejo
Vejam o que eu vejo, é o sol que vai brilhar
Meu amor de longe está
Prestes a chegar 
Talhado para mim
Mal o conheci, eu achei-o desse modo
Logo pude perceber
O fado que ia ter por ver nele o fado todo 
Chega de tragédias e desgraças
Tudo a tempo passa, não há nada a perder
Meu amor de longe voltou
Só para me ver 
Fiz um rol de planos para recebê-lo
Fui pintar as unhas, pôr tranças no cabelo
Meu amor de longe há-de vir
Beijar-me no Castelo 
Eu a procurá-lo, ele a vir afoito
Carro dos Prazeres, número 28
Meu amor de longe saltou
Iluminou a noite 
Vamos celebrar ao Bairro Alto
Madrugada, baile no Cais do Sodré
Meu amor de longe sabe bem
Como é que é 
Talhado para mim
Mal o conheci, eu achei-o desse modo
Logo pude perceber
O fado que ia ter por ver nele o fado todo 
Chega de tragédias e desgraças
Tudo a tempo passa, não há nada a perder
Meu amor de longe voltou
Só para me ver

28 abril 2016

Onde estavam no 11 de Dezembro de 2009?

O Gonçalo Cordeiro, que nos enviou esta imagem, presenciou uma noite importante na história de Diabo na Cruz. Este artefacto histórico impecavelmente conservado é o bilhete mágico que deu acesso a um dos primeiríssimos concertos de Diabo na Cruz. Mais concretamente no Musicbox, em Lisboa, na noite de 11 de Dezembro de 2009, a primeira apresentação oficial do álbum de estreia Virou!.

Segundo rezam os pergaminhos da história (ou pelo menos a internet), o Musicbox estava à pinha, o público encheu-se de orgulho a ouvir cantar assim em bom português, José Pedro Leitão dos Deolinda encontrava-se na plateia, Jónatas Pires d'Os Pontos Negros subiu ao palco e o concerto foi lindo, ai foi tão lindo.

Setlist 11/12/2009
O Regresso da Lebre
Tão Lindo
Dona Ligeirinha
Os Loucos Estão Certos
Bico de Um Prego
Casamento
Bom Tempo
Dom Fuas Roupinho
Canção do Monte
Corridinho de Verão
Fecha a Loja
-------------
Combate Com Batida
Dona Ligeirinha

Reportagens: Rua de Baixo | Altamont | Graziela Costa

Recordar é viver. Têm pedaços de memorabilia tão bons ou melhores que este? Enviem para: diabonacruzfas@gmail.com

27 abril 2016

Próximo concerto: Aveiro, 11 de Maio

O quê: Semana do Enterro da Universidade de Aveiro
Onde: Parque de Feiras e Exposições de Aveiro (ver mapa)
Quando: Na noite de 11 para 12 de Maio, depois das 00h45
Quanto: 10€ estudantes, 12€ não estudantes (comprar bilhetes)

25 abril 2016

Jorge Cruz: Música e Política na Antena 3


Num programa especial do 25 de Abril, Isilda Sanches convidou Jorge Cruz, Pedro Adão e Silva e Pedro Ayres Magalhães para uma conversa sobre música e política, onde cada convidado escolheu canções relacionadas com o tema. Podem ouvir aqui o debate e ler alguns excertos das intervenções de Jorge Cruz:



A música, a política e a liberdade
«Eu pude fazer um arco em relação ao que achava sobre o assunto na minha própria vida. É evidente que com 20 anos tinha uma relação com estas coisas um bocado Sartriana de carregar o peso da humanidade aos ombros e tudo o que eu fizesse era política, todas as minhas acções eram uma responsabilidade que eu tinha perante a humanidade. Eu meti isso na minha cabeça. Li franceses. Depois li americanos, ajudou-me. (risos) Eu acho que a liberdade da visão artística é fundamental, as obras que foram feitas com um sentido meramente político tenderam a sofrer muito mais com a erosão do tempo. Embora haja autores muito politizados, as grandes obras são sempre obras de artistas, e um artista deve procurar a liberdade da sua mente. E portanto é essa a liberdade que nós podemos admirar, mais do que ele prender-se a si próprio em ideologias.»

A relação com as editoras, o sistema de poder, a indústria
«Surgi numa altura em que o faça-você-mesmo em Portugal começou a tornar-se possível. Lancei muitas coisas eu próprio inicialmente. Cheguei a ter umas relações com editoras mas em que eu ainda não tinha confiança em mim próprio para poder impor a minha visão. (...) Um gajo como eu, como é que vai chegar a uma editora e: "Olhe, sou muito bonito, tenho uma excelente voz". São factores que fazem algumas pessoas serem contratadas, principalmente a voz. A voz é muito importante na música. Eu não tenho uma grande voz, mas tenho uma outra voz, uma voz interior. E, enquanto não a encontrei, não foi possível transmiti-la. Hoje em dia estou bastante confortável com ela. (...) Na minha relação com a indústria, principalmente há uns tempos atrás, era-me sugerido coisas como "tu és como o Pedro Ayres Magalhães, tu deverias escrever para outras pessoas cantarem, não sabes cantar". Nós não nos devemos adaptar à indústria. (...) Tem tudo a ver com o punk. Nós podemos abrir os portões para dizer o que temos a dizer.»

1ª escolha: Bob Dylan - Maggie's Farm
«Maggie's Farm é o momento em que o Dylan diz que não ao lugar onde o estavam a querer pôr, como voz de uma geração. E vai a Newport em 1965, faz um concerto famoso eléctrico em que deixa de ser visto como o cantor da folk e de protesto, como o homem do "Blowin' in the Wind" e "The Times They Are a-Changin'". E inscreve-se numa linha transcendentalista do Emerson, do Walt Whitman, dos beatniks, a paixão dele pela América é mais individualista. Criou uma nova maneira de fazer canções que depois vai influenciar tudo o que vem a seguir. Basicamente aquilo é um arrombar de portas que depois os brasileiros fazem com o Tropicalismo. E há outros exemplos.»

Zeca Afonso, muito mais que um cantor de intervenção
«Eu costumo dizer que o Zeca Afonso é o nosso Bob Dylan. De certo modo é, mas se calhar não totalmente nisto. Continuou sempre numa gaveta (mas o Dylan para algumas pessoas ainda continua), continua a ser visto como um cantor de intervenção e eu acho que é muito mais do que isso. Há grandes canções, o Redondo Vocábulo, quantas canções incríveis do Zeca como artista, puro artista, não têm nada a ver com política. Esse arrombar de portas não terá acontecido em Portugal e as coisas são feitas mais lentamente. Por isso é que passados uns 30 anos Diabo na Cruz ainda vive certos preconceitos, no lado oposto da barricada, como banda de esquerda que tem alguns vermelhos e amarelos, que tem o nome Diabo. Na Cruz. É um tipo de preconceito que tem a ver com pouca exposição à variedade, é só por ser diferente.»

2ª escolha: Madonna - Material Girl
«É das canções que melhor explica os tempos que correm. Se nós quisermos perceber qualquer fenómeno na nossa sociedade, a pergunta que temos que fazer é: quem é que está a ganhar dinheiro com isso? E a canção é sobre muitos rapazes que têm muitas qualidades, mas é só o que tiver mais dinheiro que ela vai escolher. Politicamente, a Madonna teve um papel muito importante para as mulheres, de certeza que é uma inspiração para muitas mulheres que fazem música menos mainstream, mas abriu grandes figurões. Ela foi um figurão daquela época que abriu uma data de portas. Isto é de um álbum chamado Like a Virgin, que também tem muito a ver com política porque só uma mulher que não é virgem pode apresentar-se com uma canção chamada Like a Virgin. E na política também não há virgens. E o Nile Rodgers é o produtor deste disco (isto tem uma secção rítmica fortíssima), que foi altamente prejudicado na queima dos discos [Disco Demolition Night], e que teve um grande revival recentemente a propósito dos Daft Punk.»

Concerto: Almada, 24 de Abril (vídeos)





Concerto: Almada, 24 de Abril (fotos)

Enviem as vossos fotos, vídeos e recordações para diabonacruzfas@gmail.com

Fotografias de Rui Pinto:
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Fotografias de José Matias:


Fotografias de Dulce Maria:

Fotografias de João Tereso e Rui Teixeira:


Fotografias de Rita Listing e José Matias:
 

Setlist por André Melão: